Aguarde carregando ...
 

                                              

INTERESSE PÚBLICO
 
MÍDIA RADIOFÔNICA
 
Exercendo o ouvido crítico
 
 Por * Francisco Djacyr Silva de Souza em 17/08/2010
  
O poder da crítica é essencial no mundo das comunicações, pois somente cidadãos críticos e conscientes têm nas mãos a poderosa força de analisar o que se passa nos meios de comunicação e podem questionar os meios de comunicação para exigir qualidade nos programas, na emissão e no relacionamento com os usuários.
No rádio, o ouvido crítico é essencial, pois o ouvinte deve ser extremamente exigente com os programas, verificando sua interatividade, o nível de respeitabilidade e a forma como os cidadãos têm sido tratados nos programas e na programação em geral.
Exercendo o caráter de criticidade, o ouvinte pode discutir o melhor programa e garantir que estes programas continuem fazendo parte das programações para o bem do rádio e das comunicações em geral. Temos programas que hoje castram o direito de participação do ouvinte ou limitam suas falas num atentado forte ao processo de interatividade e de melhoria da comunicação crítica e questionadora.
Há programas de rádio que agridem os ouvintes com palavrões, brincadeiras de mau gosto e jocosidades que não levam a nada. Por que não questionar estes programas? Por que não se abrem canais para que o ouvinte possa dizer o que pensa do rádio? Por que não se cria a figura do ouvidor das emissoras para que o ouvinte possa externar sua opinião sobre programas e condução da rádio e maneira geral?
O rádio precisa de organização dos ouvintes em busca de sua melhora e de sua mudança como um todo, pois hoje este meio tem problemas sérios que acabam promovendo ruídos na comunicação e destruindo firmemente o caráter de interatividade que sempre este meio vai necessitar para o bem da comunicação e para valorização da informação verdadeira, crítica e voltada para os interesses das comunidades.
A criticidade é um dos valores que devem ser cultuados nos usuários da comunicação radiofônica, pois o rádio é um meio de comunicação dos mais antigos e que continua a fazer parte da vida de milhões de pessoas. Tem provado que, com sua versatilidade e facilidade de comunicação, é o meio mais adequado para dar aos usuários notícias de qualidade, imediatismo, verdade e comunicação em tempo real.
 
Ouvidos críticos e conscientes
 
O rádio precisa urgentemente de pessoas que se organizem em busca de uma comunicação sadia, segura e voltada para os interesses do povo no sentido de poder questionar o que se passa neste meio e para dar o entendimento dos problemas da sociedade sem intromissões religiosas ou políticas que hoje povoam este meio de comunicação.
A organização dos ouvintes para evitar a submissão do rádio a interesses políticos e religiosos é vital neste momento, pois o rádio vem sendo vítima de monopolizações que atentam claramente contra a pluralidade cultural de nosso povo.
O exercício do ouvido crítico para questionar os problemas do rádio é vital para uma comunicação sadia e verdadeira, que terá de mudar a partir dos questionamentos dos usuários da comunicação, o que será de bom alvitre para o rádio e para as comunicações de maneira geral.
O rádio precisa de pessoas conscientes que pressionem as direções de rádio a abrir espaços para o questionamento da programação e da luta pela qualidade do meio, tanto técnica como em termos de mensagem. O rádio tem importância vital para uma comunicação salutar. Então, por que não mudar o perfil do ouvinte de rádio, que às vezes aceita passivamente ser chamado de "mala" ou permite que os radialistas profiram palavrões e até pede para que eles façam isso?
O rádio precisa que os ouvintes se eduquem para ouvir rádio e possam mudar sua visão de mundo acerca da sociedade e, a partir daí, promovam a necessidade de uma comunicação diferente para o bem de todos e para a melhoria das comunicações de maneira geral.
Somente ouvidos críticos e conscientes poderão mudar o rádio e dar-lhe perspectivas de melhora, sem agressões, sem pornofonia e sem utilização política e religiosa, que são condições vitais para uma comunicação melhor e salutar para o bem de todos.
 
(*) Vice-Presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará
Feitos & Desfeitas
 
MÍDIA & SOCIEDADE
A comunicação que ninguém vê...
 
 Por * Francisco Djacyr Silva de Souza em 13/07/2010
 
O que há por trás das comunicações? Esta pergunta deveria ser feita pelos cidadãos no sentido de melhor conhecer os bastidores do processo comunicativo, pois há muita névoa no mundo da comunicação que esconde interesses, situações políticas, dominação econômica e vários tipos de fenômenos constantes nas relações sociais do mundo moderno onde o capital modela visões, ideias e concepções de mundo que às vezes são passados de modo supostamente desinteressado para espectadores, leitores ou ouvintes, ocultando o verdadeiro sentido do que se passa no mundo das trocas de favores e dos processos políticos que estão engendrados em nossas relações.
Assim, não podemos admitir que usuários da comunicação sejam tratados como inocentes úteis, desprovidos de conhecimento e que não sabem distinguir a verdade da mensagem trucada ou das emissões que procuram colocar ideologias em prática por parte dos que fazem a notícia. Claro que no processo de geração de matérias ou reportagens há sempre um interesse dos que a produzem e cada reportagem de rádio, televisão ou jornal visa a atender um grupo ou casta de poder que temos no espaço de nossa vivência em sociedade.
Falar em jornalismo independente é claro que é um pouco impossível no regime em que vivemos, moldado pelos interesses do capital e pela dominação que ora está em vigor e na qual quem tem poder fala mais alto e dita as regras do jogo.
A solução para tudo isso seria um pouco de reação por parte da população que ainda está inebriada e prefere a distração em vez da informação. Talvez seja por conta disto que programas que propagam sexo, troca de casais, traição ou fama fácil estejam entre os que mais rendam colocação no ranking de audiência e maior apoio por parte dos patrocinadores, que sabem que podem aliar seu produto ao mau gosto e à baixaria.
 
Uma democratização de verdade
 
No mundo das comunicações, o elemento formação do jornalista é essencial, pois por ano saem muitos profissionais desprovidos do conhecimento de geopolítica, do entendimento de ideologias e do fiel cumprimento dos preceitos do Código de Ética de sua categoria, coisas que não estão presentes no diploma superior de jornalismo.
A situação dos meios de comunicação no Brasil é de uma quase completa subserviência aos interesses políticos e econômicos, pois o acesso ao domínio dos meios de comunicação é impossível a grupos populares que não têm subsídios para instalação de uma rádio alternativa (sucatearam as comunitárias) ou produção de material jornalístico de cunho popular sem corporativismo ou formação de guetos ideológicos.
Os meios de comunicação precisam ser democráticos e seus usuários precisam ser cada vez mais críticos e exigentes para com a mídia que se processa. Ouvir, ler e assistir têm de ser tarefas de análise abalizada para filtrar conteúdos e distinguir os interesses que estão atrás das mensagens que nos chegam. Para tudo isso, é preciso mudar também o processo educativo de nosso povo, garantindo um estudo crítico, reflexivo e entender de ideologias subjacentes nos discursos dos jornalistas, editores e radialistas que, infelizmente, sempre dizem amém para os donos do poder.
E preciso que sejam organizados conselhos de leitores com voz altiva, serviços de ouvidoria que realmente funcionem, grupos de leitura crítica da mídia que não sejam meros reprodutores de interesses que estão presentes nos atuais modelos de ação já vislumbrados na malfadada Conferência Nacional de Comunicação.
A comunicação precisa ser verdadeira, crítica, reflexiva e satisfazer os interesses realmente populares para dar ao povo oportunidade de saber dizer o que quer do mundo e o que quer de sua vida.
Os jornais de nosso país não são democráticos, as emissoras de televisão só têm programas que atendem interesses dos poderosos e as revistas de circulação nacional são dominadas por grupos políticos que condicionam matérias e denúncias.
Por tudo isso, é preciso democratizar de forma verdadeira a comunicação para que nosso povo possa ser brindado por uma comunicação que realmente atenda à verdade e à mudança.
 
(*) Vice-Presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará
 
INTERESSE PÚBLICO
 
MÍDIA RADIOFÔNICA
 
 
Uma discussão que jamais cessará
 
 Por * Francisco Djacyr Silva de Souza em 20/07/2010
 
             Falar do rádio é uma tarefa árdua e de pouco interesse no corpo jornalístico de nosso país, pois para muitos jornalistas (isso é comprovado) o rádio está com seus dias contados, o que promove desestímulo aos que fazem o jornalismo e preferem o glamour da televisão. Isso faz com que não se promovam discussões sobre o que se passa no meio rádio diante de tantos problemas que vemos e que até hoje não se vê providência alguma tanto do poder público quando dos organismos de defesa da comunicação, que são em todo corporativistas e certamente não vão se interessar por uma mídia fracassada.
           No meio da discussão sobre comunicação, tentei várias vezes contatar o Fórum Nacional de Defesa da Comunicação sobre o problema do rádio em nosso estado (Ceará) e nunca consegui uma só resposta ou ação no sentido de lutar pela mudança. A pergunta que vem logo em seguida é: rádio não é comunicação? Tentamos contatar com o blog da Magali Prado, que diz que se interessa por rádio, e até hoje não obtivemos resposta alguma. Como dizer que se interessa por rádio se não ouve o interesse dos ouvintes? Gabriel Passajou é outro blog que diz que se interessa por rádio, porém ignora a luta dos ouvintes de rádio, uma vez que tentamos vários contatos e até hoje não obtivemos resposta.
A verdade é que estes grupos só buscam seus interesses e não têm amor algum pelo rádio.Uma programação que fale a língua do povo
A luta pela programação de rádio de qualidade é muito dura e repleta de incompreensões, pois há muitos que se dizem amantes do rádio e só buscam o rádio se lhes der dinheiro e poder, como muitos casos com que deparamos e vimos até o presente momento. Há blogs que falam de rádio apenas esporadicamente, escondem os problemas do rádio e até elogiam os que fazem do rádio um espetáculo de pornofonia, discriminações e agressões aos ouvintes.
O que acontece no rádio tem participação forte do Ministério das Comunicações, que não fiscaliza as concessões e não exige que a finalidade precípua do rádio seja levada em conta pelos programadores que visam exclusivamente ao dinheiro e ao poder político.
Não podemos deixar o rádio morrer nem podemos aceitar que este meio de comunicação seja dominado pelos grupos religiosos que vendem a fé através das ondas radiofônicas enganando a boa fé de nosso povo.
É preciso que haja união dos que realmente querem que o rádio melhore para buscar um processo de reconhecimento do valor do rádio e entender seu desvirtuamento no momento atual, mudando suas perspectivas e lutando por uma programação plural, verdadeira, honesta, ética e, sobretudo, que fale a língua de nosso povo com decisão, galhardia e honestidade.
 
(*) Vice-Presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará

ANUNCIAMOS COM MUITO PESAR O FALECIMENTO DO NOSSO COLABORADOR E INCENTIVADOR SR. AIRTON MARÇAL EM 21 SE AGOSTO. QUE MUITO CONTRIBUIU NOS NOSSOS EVENTOS PRESTANDO A SUA VOZ PARA A BOA MÚSICA BRASILEIRA. NOSSOS PÊSAMES À FAMÍLIA ENLUTADA. A DIRETORIA. 

 
UM SOFRIMENTO
 
(*) Por Antônio Paiva Rodrigues em 04/07/2010
 
A cada dia que passa meu rádio continua triste, acabrunhado, chiando, querendo se alterar ao tentar encontrar um ponto ideal para imantar o seu dial. Tento sintonizar uma emissora de rádio, e ele teima em pinotear fazendo pirraça a toda hora, e a todo instante. Pensei cá com meus botões: será que meu lazer de todos os dias está doente ou está querendo virar gente? Há uma existência em cada coisa morta e uma centelha que provém do nada? Não sei, mas assim já se pronunciava o poeta Gomes Moreira. Tentei um diálogo com meu rádio de estimação. Fiz-lhe diversas perguntas e ele teimou em ficar calado. De repente ouvi um som bem baixinho, diferente do palpitar em luz que a natureza exorta naqueles que se buscam na escalada. De mansinho ele foi tomando força tentando soltar sua voz forte, alegre, jovial, carinhosa, educadora e cheia de ética. Fui mudando o meu aspecto de preocupação me alegrando aos poucos como uma batida de uma válvula propulsora cansada e doente. Como um menino alheio aos aspectos do cotidiano conversava baixinho comigo mesmo, mas a preocupação com meu rádio não saia do pensamento. É de esperança que se veste a alma, em roupagens de fé e de otimismo. Com esse otimismo insisti dialogar com o meu radinho de cabeceira. Não era besteira e nem asneira o que se passava comigo, mas quando estou só com o pensamento, ou cismo nessa hora extrema, de incerteza incalma, afastando o fantasma do egoísmo, levo do sonho e desejada palma. Na minha mente, no meu ego uma voz surgiu em tom de preocupação! Estava tão concentrado que de repente indaguei: Que beleza meu rádio saiu da letargia que jazia, e eu, na minha alegria comecei a indagar. Meu dileto amigo não me faça despeito responda por que não queres falar. Ele não titubeou, estou cansado, destronado e com vontade de provocar. Estou de ressaca pelo mau trato que estou passando. Não consigo transmitir bons programas, bons musicais, não alegro mais as crianças e estou com azia de tanta pornofonia e pornografia que querem que eu coloque no ar. Não me sinto a vontade, estou magoado, pois estou perdendo minha finalidade e já tenho bastante idade e não querem me respeitar. Meu pai Marconi deve está tremendo pela falta de respeito para com ele. Meu nascimento se deu em data festiva, e eu esperava que essa festa fosse eterna, mas a programação que colocam para eu transmitir deixa muito a desejar. Fico a lamentar, mas os responsáveis por minha manutenção não me dão a mão, e meu deixam ao léu, e envergonhado vou levando a contragosto a muitas paragens as ondas sonoras que saem de mim. E assim, perdido num labirinto, muito mais burro é como me sinto, já nem soneto eu faço mais! Foi nesse momento que entendi o porquê da teimosia do meu companheiro dileto em teimar e o som ocultar. Pertencemos a uma grande associação que luta com muito denodo e esforço para a qualidade da programação do rádio melhorar. O rádio hoje está muito judiado, pois alguns profissionais querem audiência a todo custo, no apelo que não deveria existir, e que os que fazem a Anatel cumprissem seus papéis, e a programação melhorar. Infelizmente, hoje a alegria do rádio virou sofrimento, pois pela sua importância tudo se transmite como: guerras, mortes, crimes, violência de todo matiz, vernacular pornográfico é o tom alto dos que fazem o rádio nos dias atuais. Aquelas músicas antigas, dos anos 50, 60,70 não se ouve mais. As novelas de rádio sumiram, escafederam-se. O rádio está doente e nós profissionais desse invento maravilhoso temos que tomar ciência que o rádio não é uma arma e sim um deleite para todos nós. Ser prego é mais difícil que ser martelo! No sofrimento se conhece o verdadeiro homem: ele, ou amadurece, ou se revolta e apodrece! No frigir dos ovos nos parece que o homem não quer evoluir e nessa psicosfera de incerteza o meu divertimento continuará a ser um grande sofrimento. A passividade diante do erro é um misto de omissão e covardia. O que diria hoje o grande padre Roberto Landell de Moura, outro grande inventor que só não ganhou a patente pelas dificuldades que passou, mas fiquem sabendo que ele não é nenhum algoz, mas foi o inventor que como sua réplica conseguiu transmitir a voz pela primeira vez. Fica a questão Marconi X Landell de Moura. Quero que tudo se exploda, mas que o rádio tenha a destinação que merece seus ouvintes, que já de ouvidos calejados reclamam todos os dias, por momentos extensos de alegria e que um sofrimento nojento não lhe bata a porta, visto que o povo gosta de cultura e não de apelações. Que meu querido radinho seja tratado com amor e carinho. Pense nisso!
 
* Membro da ACI – Associação Cearense de Imprensa, da Alomerce, da UBT – União Brasileira de Trovadores e da AOUVIR/CE – Associação dos Ouvintes de Rádio do Ceará.

 

 

 
ASSOCIAÇÃO DE OUVINTES DE RÁDIO DO CEARÁ - RUA GENERAL SAMPAIO, 1128 - (85) 3293.67.48 - (85) 3081.92.24 
Desenvolvido e hospedado por BioSites Tecnologias